{"id":14298,"date":"2025-11-19T11:25:47","date_gmt":"2025-11-19T14:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/jeffersonisac.adv.br\/index.php\/2025\/11\/19\/depoente-admite-em-cmpi-do-inss-conhecer-investigados-mas-evita-explicar-transferencias\/"},"modified":"2025-11-19T11:25:47","modified_gmt":"2025-11-19T14:25:47","slug":"depoente-admite-em-cmpi-do-inss-conhecer-investigados-mas-evita-explicar-transferencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jeffersonisac.adv.br\/index.php\/2025\/11\/19\/depoente-admite-em-cmpi-do-inss-conhecer-investigados-mas-evita-explicar-transferencias\/","title":{"rendered":"Depoente admite em CMPI do INSS conhecer investigados, mas evita explicar transfer\u00eancias"},"content":{"rendered":"<div class=\"image-container\">\n<div class=\"midia-creditos\"><em>Foto: Jefferson Rudy\/Ag\u00eancia Senado<\/em><\/div>\n<div class=\"media-wrapper\"><\/div>\n<div class=\"midia-legenda\">Cec\u00edlia Rodrigues Mota, em depoimento \u00e0 CPMI do INSS<\/div>\n<\/div>\n<p>A CPMI do INSS ouviu nesta ter\u00e7a-feira (18) a advogada Cec\u00edlia Rodrigues Mota, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associa\u00e7\u00e3o dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). Ela admitiu conhecer parte das pessoas citadas nas investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Sem Desconto, reconheceu ser propriet\u00e1ria de v\u00e1rias empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e confirmou ter movimentado milh\u00f5es de reais, mas negou que esses recursos tenham origem il\u00edcita.<\/p>\n<p>Amparada por um habeas corpus concedido pelo ministro Fl\u00e1vio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ela declarou inicialmente que faria uso do direito ao sil\u00eancio para n\u00e3o prejudicar investiga\u00e7\u00f5es em andamento, mas acabou respondendo a algumas perguntas do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (Uni\u00e3o-AL).<\/p>\n<p>Na sua apresenta\u00e7\u00e3o inicial, Cec\u00edlia criticou a cobertura da m\u00eddia sobre seu caso e afirmou que toda a sua renda adv\u00e9m do trabalho como advogada \u2014 que incluiria servi\u00e7os \u00e0 Aapen, \u00e0 AAPB e a outras duas entidades, sendo uma delas a Caixa de Assist\u00eancia dos Aposentados e Pensionistas do INSS (Caap) \u2014, al\u00e9m do trabalho em seu escrit\u00f3rio de advocacia e em empresas privadas. Ela negou irregularidades em suas viagens e opera\u00e7\u00f5es profissionais, mas v\u00e1rios parlamentares n\u00e3o se mostraram convencidos com esses argumentos.<\/p>\n<p>Alfredo Gaspar questionou sua atua\u00e7\u00e3o como presidente da AAPB e da Aapen (que antes tinha o nome de Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Servidores P\u00fablicos &#8211; ABSP). Ela negou irregularidades:<\/p>\n<p>&#8220;Presidi a ABSP, hoje denominada Aapen, entre os anos de 2018 e 2022. Tamb\u00e9m presidi a AAPB entre 2019 e, aproximadamente, 2020. E fa\u00e7o aqui um esclarecimento essencial: nesse per\u00edodo n\u00e3o havia ACT [Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica] vigente, portanto qualquer tentativa de vincular minha presid\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de ACT naquela \u00e9poca \u00e9 simplesmente incorreta&#8221;, disse Cec\u00edlia.<\/p>\n<p>O relator, ent\u00e3o, lembrou que a ABSP foi descredenciada ap\u00f3s investiga\u00e7\u00e3o do INSS e voltou a atuar com novo nome em 2023. Ele tamb\u00e9m confrontou a depoente com repasses milion\u00e1rios feitos por ela e suas empresas a terceiros, incluindo Eric Fidelis, filho de Andr\u00e9 Fidelis, ex-diretor de Benef\u00edcios do INSS em 2023 e 2024. Cec\u00edlia ent\u00e3o exerceu o direito de sil\u00eancio, preservando detalhes de transfer\u00eancias e relacionamentos comerciais.<\/p>\n<p>&#8220;Por que a senhora coloca mais de R$ 4 milh\u00f5es na conta do filho do Andr\u00e9 Fidelis [Eric Fidelis] depois desse ACT?&#8221;, questionou Alfredo Gaspar.<\/p>\n<p>Cec\u00edlia respondeu que preferia ficar em sil\u00eancio.<\/p>\n<p><strong>Outros investigados<br \/>\n<\/strong>Ela tamb\u00e9m optou pelo sil\u00eancio quando foi questionada sobre movimenta\u00e7\u00f5es envolvendo outros investigados. O relator citou, por exemplo, transfer\u00eancias para Tha\u00edsa Hoffmann Jonasson e Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira. Tha\u00edsa \u00e9 esposa do ex-procurador do INSS Virg\u00edlio Ant\u00f4nio Ribeiro de Oliveira Filho; Maria Paula \u00e9 irm\u00e3 do mesmo ex-procurador.<\/p>\n<p>&#8220;Qual foi o servi\u00e7o que a esposa do procurador-geral do INSS em 2023 e 2024 prestou? Tha\u00edsa Hoffmann Jonasson recebeu R$ 630 mil da senhora ou do seu escrit\u00f3rio&#8221;, questionou o relator.<\/p>\n<p>&#8220;Excel\u00eancia, eu tamb\u00e9m vou ficar em sil\u00eancio pelo mesmo motivo da pergunta anterior&#8221;, disse a depoente.<\/p>\n<p>Ainda assim, ela admitiu conhecer v\u00e1rios nomes ligados ao INSS, embora tenha afirmado, na maior parte das vezes, tratar-se apenas de \u201crela\u00e7\u00f5es institucionais\u201d. \u00c9 o caso de Andr\u00e9 Fidelis, Eric Fidelis, Virg\u00edlio de Oliveira, Carlos Lupi e Jos\u00e9 Carlos Oliveira.<\/p>\n<p>Sobre outros nomes \u2014 Felipe Macedo Gomes, Anderson Vasconcelos e Am\u00e9rico Monte, apontados como integrantes de um n\u00facleo empresarial \u2014, Cec\u00edlia afirmou conhec\u00ea-los, mas sem detalhar essas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em outros momentos, ela manteve o sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o a s\u00f3cios de empresas, repasses espec\u00edficos e conex\u00f5es com procuradores e operadores do INSS, alegando n\u00e3o ter acesso \u00e0s provas.<\/p>\n<p>O relator tamb\u00e9m destacou coincid\u00eancias de datas de voos entre a depoente e outros investigados, como Antonio Carlos Camilo, conhecido como o \u201cCareca do INSS\u201d. Cec\u00edlia negou ter qualquer contato ou rela\u00e7\u00e3o com Camilo.<\/p>\n<div class=\"image-container\">\n<div class=\"midia-creditos\"><em>Bruno Spada \/ C\u00e2mara dos Deputados<\/em><\/div>\n<div class=\"media-wrapper\"><\/div>\n<div class=\"midia-legenda\">Alfredo Gaspar questionou a evolu\u00e7\u00e3o patrimonial da depoente<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Empresas<br \/>\n<\/strong>Ao tratar das empresas ligadas \u00e0 depoente, o relator detalhou repasses milion\u00e1rios a terceiros e pagamentos a empresas. Questionada sobre a estrutura societ\u00e1ria delas e as fun\u00e7\u00f5es desempenhadas, Cec\u00edlia recorreu novamente ao direito de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Entre as empresas citadas, a Highway Com\u00e9rcio e Servi\u00e7o de Inform\u00e1tica recebeu aten\u00e7\u00e3o especial. Cec\u00edlia e Igor Oliveira Freitas aparecem como s\u00f3cios, com 50% cada um. A advogada afirmou que a Highway atua na produ\u00e7\u00e3o de softwares e no desenvolvimento de sites. Sobre a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os para associa\u00e7\u00f5es investigadas, disse apenas que isso \u201cpode ter ocorrido\u201d e que n\u00e3o se lembrava dos valores.<\/p>\n<p>Em todos os casos apontados, ela admitiu deter parte do capital das empresas mencionadas, mas recorreu ao direito de sil\u00eancio sobre detalhes de movimenta\u00e7\u00f5es financeiras, reiterando n\u00e3o ter acesso completo \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es e argumentando que aguardaria os respectivos procedimentos legais.<\/p>\n<p><strong>Enriquecimento<br \/>\n<\/strong>Al\u00e9m de fazer questionamentos sobre as pessoas investigadas e as movimenta\u00e7\u00f5es financeiras, Alfredo Gaspar se concentrou nas aquisi\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos de luxo e nas viagens ao exterior realizadas pela depoente. Segundo ele, Cec\u00edlia tinha um Ford Ka de R$ 59 mil em 2020 e hoje possui dois Mustangs avaliados em mais de R$ 350 mil cada. O deputado quis entender como ocorreu essa evolu\u00e7\u00e3o patrimonial. Ela confirmou as aquisi\u00e7\u00f5es e afirmou que os ve\u00edculos foram pagos com recursos provenientes da sua atua\u00e7\u00e3o na advocacia.<\/p>\n<p>Sobre as viagens, Cec\u00edlia rebateu. &#8220;Agora eu quero falar sobre a acusa\u00e7\u00e3o de 33 viagens internacionais. Isso \u00e9 uma inverdade, totalmente: o m\u00e1ximo que pode ter ocorrido s\u00e3o sete ou oito viagens internacionais&#8221;, declarou ela.<\/p>\n<p>Alfredo Gaspar tamb\u00e9m destacou o volume total das movimenta\u00e7\u00f5es financeiras \u2014 estimadas em quase R$ 20 milh\u00f5es \u2014 entre contas pessoais e da advocacia, incluindo transfer\u00eancias milion\u00e1rias recebidas e enviadas, apontando a possibilidade de ind\u00edcios de lavagem de dinheiro.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a senhora entrou, a senhora me passou uma \u00f3tima impress\u00e3o: uma pessoa com uma carreira a zelar. Quando a senhora chegou aqui, eu queria acreditar que todas as suspeitas seriam jogadas na lata do lixo. Mas estamos falando de milh\u00f5es de reais retirados de aposentados e pensionistas, dinheiro roubado do povo brasileiro, que j\u00e1 enfrenta tanto sofrimento&#8221;, enfatizou o relator.<\/p>\n<p><strong>Suspens\u00e3o do consignado<br \/>\n<\/strong>No encerramento da reuni\u00e3o, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reiterou sua proposta de suspens\u00e3o, por seis meses, da cobran\u00e7a de empr\u00e9stimo consignado de aposentados e pensionistas. Segundo ele, isso seria uma atitude importante do governo federal em favor das v\u00edtimas das fraudes.<\/p>\n<p>Viana acrescentou que a CPMI j\u00e1 sabe quem s\u00e3o os fraudadores.<\/p>\n<p>&#8220;Temos nomes, n\u00facleos, o rastro financeiro, os operadores e quanto cada um desses senhores desviou. Nada ficar\u00e1 escondido da na\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Jefferson Rudy\/Ag\u00eancia Senado Cec\u00edlia Rodrigues Mota, em depoimento \u00e0 CPMI do INSS A CPMI do INSS ouviu nesta ter\u00e7a-feira (18) a advogada Cec\u00edlia Rodrigues Mota, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associa\u00e7\u00e3o dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). 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