{"id":3631,"date":"2023-11-23T21:38:26","date_gmt":"2023-11-24T00:38:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jeffersonisac.adv.br\/index.php\/2023\/11\/23\/educacao-antirracista-exige-mudanca-completa-do-sistema-de-ensino-afirmam-especialistas\/"},"modified":"2023-11-23T21:38:26","modified_gmt":"2023-11-24T00:38:26","slug":"educacao-antirracista-exige-mudanca-completa-do-sistema-de-ensino-afirmam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jeffersonisac.adv.br\/index.php\/2023\/11\/23\/educacao-antirracista-exige-mudanca-completa-do-sistema-de-ensino-afirmam-especialistas\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o antirracista exige mudan\u00e7a completa do sistema de ensino, afirmam especialistas"},"content":{"rendered":"<div class=\"image-container\">\n<div class=\"midia-creditos\"><em>Renato Ara\u00fajo\/C\u00e2mara dos Deputados<\/em><\/div>\n<div class=\"media-wrapper\"><\/div>\n<div class=\"midia-legenda\">Comiss\u00e3o se reuniu nesta quinta-feira<\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s 20 anos da vig\u00eancia da lei que obriga as escolas a ensinar hist\u00f3ria e cultura africanas e ind\u00edgenas, a educa\u00e7\u00e3o brasileira continua fundamentalmente voltada a valores europeus, sustentaram participantes de debate na C\u00e2mara. Para os especialistas, construir uma educa\u00e7\u00e3o antirracista requer a reformula\u00e7\u00e3o completa dos sistemas de ensino, que passa pela forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro Amilcar Ara\u00fajo Pereira, a constru\u00e7\u00e3o do sistema educacional, na primeira Rep\u00fablica, utilizava a perspectiva europeia com o objetivo de \u201cembranquecer a popula\u00e7\u00e3o\u201d. E, conforme Amilcar Pereira, essa concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou no passado: continua em vigor nas escolas e universidades brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cNa Europa, em geral, na Inglaterra, na Fran\u00e7a e na Espanha, pelo menos, que s\u00e3o os casos que eu estou estudando mais de perto, se estuda menos hist\u00f3ria europeia do que no Brasil. Na UFRJ, nas universidades brasileiras em geral, se dedica muito mais espa\u00e7o curricular a estudar a hist\u00f3ria da Europa que os pr\u00f3prios europeus fazem, numa popula\u00e7\u00e3o majoritariamente negra\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Coordenador-geral de Promo\u00e7\u00e3o da Cidadania e Combate ao Racismo do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, Andr\u00e9 Baniwa ressaltou que, com rela\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas, a pr\u00e1tica oficial foi de negar a exist\u00eancia dessa popula\u00e7\u00e3o. Segundo disse, o Estado &#8220;pretendia, por muitos m\u00e9todos, que um dia n\u00e3o houvesse mais ind\u00edgenas no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p><strong>Povos ind\u00edgenas<\/strong><br \/>\nPara Baniwa, uma forma de repara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena por essa trajet\u00f3ria de viol\u00eancia seria contar essa hist\u00f3ria da maneira como ela realmente aconteceu. Para isso, segundo ele, \u00e9 preciso ter coragem do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 consci\u00eancia; para a gente n\u00e3o repetir e construir o futuro, isso \u00e9 fundamental. H\u00e1 registros hist\u00f3ricos para fundamentar o que aconteceu com os povos ind\u00edgenas, a viol\u00eancia &#8211; muitas etnias foram dizimadas, as l\u00ednguas tamb\u00e9m -, porque havia gente afirmando que n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos alma, ent\u00e3o, podia-se fazer qualquer coisa com os povos ind\u00edgenas. Ent\u00e3o, n\u00e3o era viol\u00eancia, ent\u00e3o n\u00e3o era crime, ent\u00e3o n\u00e3o era pecado. Eu chamo aten\u00e7\u00e3o para que esses materiais did\u00e1ticos sejam corajosos para deixar isso muito claro\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Uma reivindica\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, conforme Andr\u00e9 Baniwa, \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um sistema nacional de educa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A deputada C\u00e9lia Xakriab\u00e1 (Psol-MG), inclusive, relatou ter estudado em uma escola ind\u00edgena, onde, segundo disse, teve \u201ca grande felicidade\u201d de nunca ouvir dizer que quem descobriu o Brasil foi Pedro \u00c1lvares Cabral. A deputada informou que est\u00e1 preparando um projeto de lei para proibir que as escolas ensinem essa vers\u00e3o da hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>A professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo Iracema Santos do Nascimento relatou que a maioria dos professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que ela orienta na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve nenhuma forma\u00e7\u00e3o sobre cultura africana ou ind\u00edgena. Ela ressalta, por\u00e9m, que a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, mas representa somente o primeiro passo na constru\u00e7\u00e3o de uma escola antirracista.<\/p>\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o antirracista, para ser efetiva, implica uma mudan\u00e7a radical na escola, nas rela\u00e7\u00f5es, nos comportamentos. Ela exige uma nova \u00e9tica dentro da escola, nos materiais, no projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais e dos familiares tamb\u00e9m\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o da deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica e menos violenta s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com uma educa\u00e7\u00e3o antirracista. Professora Luciene Cavalcante foi quem pediu o debate, realizado na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 mais para a gente continuar assassinando a grande maioria da nossa juventude e normalizando isso. Por que n\u00e3o h\u00e1 uma revolta com rela\u00e7\u00e3o a tanta injusti\u00e7a e a tanto racismo e exclus\u00e3o, um Pa\u00eds t\u00e3o rico e ao mesmo tempo com milhares de pessoas passando fome? Porque isso nos foi ensinado por uma elite. Isso \u00e9 poss\u00edvel quando eu tiro a humanidade das pessoas. Porque, se eu compreendo o outro como humano igual a mim, eu n\u00e3o fico passivo diante de uma viol\u00eancia ele est\u00e1 sofrendo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da deputada, a escola \u00e9 o espa\u00e7o privilegiado para promover essa mudan\u00e7a de mentalidade por constituir o local de conforma\u00e7\u00e3o do modo como as pessoas interagem com o mundo.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Ara\u00fajo\/C\u00e2mara dos Deputados Comiss\u00e3o se reuniu nesta quinta-feira Ap\u00f3s 20 anos da vig\u00eancia da lei que obriga as escolas a ensinar hist\u00f3ria e cultura africanas e ind\u00edgenas, a educa\u00e7\u00e3o brasileira continua fundamentalmente voltada a valores europeus, sustentaram participantes de debate na C\u00e2mara. 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